21/11/2025
A crise contemporânea do capitalismo não é conjuntural, mas estrutural, derivada da contradição entre o desenvolvimento acelerado das forças produtivas (automação, robótica e inteligência artificial) e as relações sociais de produção baseadas no salário e na acumulação privada.
Esta contradição reduz progressivamente a massa salarial, contrai a demanda solvente e força o sistema a adotar mecanismos de socialização do valor para sua própria sobrevivência.
O artigo analisa duas respostas possíveis: a manutenção artificial da demanda, mediante endividamento insustentável, e a distribuição social do valor produzido, por meio de fundos públicos e formas associativas — particularmente cooperativas e Circuitos Econômicos Solidários (CES).
Demonstra-se que os países que avançam na transição para relações associativas, autogestionadas e solidárias alcançam maior resiliência e prosperidade econômica, em contraste com os que resistem à transformação, os quais experimentam um aprofundamento da crise, do desemprego e da criminalidade organizada.
Finalmente, propõe-se a desmonetização progressiva dos intercâmbios solidários por meio de plataformas blockchain e a expansão consciente da economia do dom como vias concretas e contraditórias para avançar na superação do capitalismo, permitindo que uma parte crescente da produção e dos bens de uso passe a ser distribuída segundo necessidades socialmente determinadas, em vez de subordinada à lógica da valorização do capital.
A crise atual do capitalismo pode resultar tanto em sua reconfiguração sistêmica — mediante sua adaptação à nova etapa de desenvolvimento das forças produtivas marcada pela automação baseada em inteligência artificial e robótica — como em uma transição para um regime econômico associativo, autogestionado e solidário, em um processo de real libertação econômica para o conjunto das sociedades.
Nesta exposição abordaremos somente alguns aspectos dessa crise, tratando de algumas fendas sistêmicas do capitalismo, evidenciando que os países que resistem a essa transição enfrentam dificuldades cada vez maiores, enquanto os abertos à mudança estão obtendo melhores resultados.
Veremos como as alternativas de economias sociais, populares e solidárias podem avançar em processos de libertação de forças produtivas, de intercâmbio e de crédito para a realização do bem-viver de todos — isto é, para assegurar a realização das liberdades públicas e privadas exercidas eticamente, com a justa participação de todos no emprego dos meios materiais (econômicos e ecológicos), de poder (político e social) e de conhecimento (informação, comunicação e educação).
Analisaremos a crise do capital a partir da contradição entre o capital e o trabalho assalariado. O desenvolvimento das forças produtivas corresponde, em grande medida, à incorporação de habilidades do trabalho vivo ao capital fixo (maquinaria). À medida que isso ocorre, menos trabalho vivo é necessário para a produção e, portanto, o capital reduz a quantidade de salário pago por unidade produzida, diminui o valor das mercadorias e desocupa trabalho. O tempo de trabalho disponível se converte em tempo de não-trabalho para o trabalhador, isto é, converte-se em tempo de desemprego.
Ao reduzir-se a distribuição de salários, cai a demanda solvente de mercadorias. A disputa por mercados baixa os preços e as margens de lucro, aprofundando a crise de realização do valor. Assim, as relações sociais de produção capitalistas terminam travando o próprio potencial produtivo das forças produtivas, acentuando a contradição histórica que, segundo Marx, força a transição do sistema para um modo de produção associado.
No momento atual, essa contradição avança a um nível extremamente elevado porque, com a robótica e a inteligência artificial, grande parte das capacidades humanas está sendo transferida do trabalho vivo ao trabalho morto — à maquinaria — cuja última fronteira é o desenvolvimento dos robôs humanoides. Quanto mais estes robôs consigam reproduzir capacidades humanas de trabalho, interpretação e reação em distintos contextos, tanto menos o capital dependerá do trabalho vivo para sua reprodução, e maior volume de trabalho vivo será excluído do processo produtivo sempre que os custos para manter robôs sejam menores que os de pagar salários para realizar uma mesma tarefa ou função.
Isso tem uma implicação fundamental para o agravamento da crise na relação entre capital e trabalho assalariado, pois conduz a uma drástica redução do trabalho assalariado. De fato, como o pagamento de salários é a principal forma de sustentação do consumo da sociedade – isto é, da compra das mercadorias produzidas –, quanto menos salário é distribuido, menor é a demanda solvente pelos produtos criados pelo capital. Em consequência, pelas leis imanentes da produção e circulação capitalistas, a competição por mercados pressiona ainda mais os preços e as margens de lucro; os produtos tendem a baixar de valor e de preço; e o volume de salário distribuído se reduz ainda mais, acentuando a mesma contradição que a gera.
Esse é o ponto central da contradição que analisaremos. Veremos como os mecanismos que ela engendra impelem o capitalismo a transitar para novas relações sociais de produção e circulação, nas quais a contradição entre capital e trabalho assalariado, como relação social dominante, vai sendo dissolvida, sendo progressivamente abolida — de maneira negativa — por força das próprias leis imanentes da produção capitalista, isto é, pela competição baseada no ganho de produtividade com redução de custos. E, por outro lado, examinaremos como essa fenda sistêmica do capitalismo pode ser enfrentada e superada positivamente pela economia social e solidária, com suas formas autogestionadas de produção e intercâmbio solidário.
A crise atual do capitalismo apresenta duas saídas possíveis: uma reconfiguração sistêmica, mediante a adaptação do sistema às novas forças produtivas — como a inteligência artificial e a robótica —; ou uma transição para um regime econômico associativo, autogestionário e solidário.
Nesta argumentação veremos que existem dois modelos divergentes para enfrentar a crise.
O primeiro busca manter a demanda de mercadorias mediante o endividamento da sociedade. No entanto, este mecanismo encontra seu próprio limite: quando a capacidade de pagamento se esgota, a renda das pessoas é destinada, em maior medida, ao serviço de dívidas passadas — gastos improdutivos — e não à compra de novos bens. Deste modo, a lógica do endividamento sem uma produção e distribuição social de valor que permita saldá-lo termina freando o desenvolvimento das forças produtivas, pois dificulta cada vez mais a realização do valor pelo capital produtivo.
O segundo modelo se baseia na distribuição social do valor produzido, mediante diversos mecanismos: transferências públicas em programas de renda mínima; sociedades anônimas que devolvem socialmente o excedente gerado em sistemas produtivos altamente robotizados; ou formas cooperativas de produção, circulação e crédito nas quais a redução do trabalho vivo permite reduzir progressivamente a jornada laboral e, ao mesmo tempo, distribuir de forma justa os aumentos de produtividade. Este modelo supera gradualmente a relação capital-trabalho assalariado e dá lugar a relações sociais de produção, distribuição e apropriação solidárias, associativas e autogestionadas — avançando de fato para a construção de um socialismo.
A crise, portanto, aprofunda fendas sistêmicas: os países que resistem à transição enfrentam dificuldades crescentes, enquanto os que avançam para modelos associativos mostram melhores resultados econômicos e sociais.
O eixo central da exposição consiste em: analisar a crise de reprodução do capital; apresentar alternativas de economias sociais, populares e solidárias capazes de libertar forças produtivas, de circulação e de crédito; mostrar como estes modelos podem avançar para a realização do bem-viver, entendido como o exercício ético de liberdades públicas e privadas, sustentado na justa apropriação e emprego dos meios materiais, do poder e do conhecimento.
Com o desenvolvimento das forças produtivas, o capital incorpora habilidades do trabalho vivo (humano) no trabalho morto (maquinaria/capital fixo). Na fase atual, a robótica e a inteligência artificial substituem porções cada vez maiores do trabalho vivo, e a "última fronteira" é a produção de robôs humanoides que incorporam em si – como maquinaria – amplas faculdades cognitivas e operativas humanas. O resultado é uma menor necessidade de trabalho assalariado e, em consequência, uma redução da massa salarial distribuída. Um menor emprego de trabalho vivo implica menos salários pagos (menor massa salarial distribuída), menor valor incorporado nas mercadorias, redução da mais-valia realizável, aumento do desemprego e diminuição da demanda solvente (isto é, com dinheiro) para adquirir as mercadorias produzidas. Isto desemboca em uma crise de realização do valor: a mais-valia, embora menor, ainda assim não se realiza.
Do ponto de vista dos fluxos econômicos, o valor recebido pelo trabalhador — como salário em uma empresa capitalista ou como retirada em uma empresa associativa — retorna ao circuito econômico principalmente na forma de consumo. Parte pode transformar-se em poupança, gerar crédito e receber juros; no entanto, a maior porção da renda do trabalhador é dedicada diretamente a sustentar o seu consumo.
Como as novas tecnologias reduzem o tempo de trabalho necessário empregado na produção e na circulação de mercadorias, diminui proporcionalmente o volume de trabalho remunerado. Com a redução do trabalho pago, menor é a massa salarial distribuída e menor é o valor das mercadorias por unidade produzida. Assim, a queda na distribuição de salários implica uma queda equivalente no volume da renda disponível para consumir as mercadorias produzidas.
Se supusermos, por exemplo, que 50% do trabalho envolvido na produção e na circulação fosse automatizado — graças a robôs, drones e inteligências artificiais capazes de executar tarefas tangíveis e intangíveis em múltiplas etapas das cadeias de valor —, e que isso correspondesse a uma eliminação de 50% da massa salarial paga nessas atividades, isso implicaria uma redução potencial de aproximadamente 50% do consumo sustentado por tais salários. Portanto, quanto mais o trabalho vivo é substituído pelo trabalho morto de IAs, robôs e drones, mais se reduz a demanda solvente de consumo final, intensificando a crise de realização do valor.
A queda dos preços na disputa por mercados comprime as margens de lucro e conduz à estagnação. A isto se somam o aumento do desemprego e do endividamento. Menos salário distribuído implica menor consumo e, portanto, um aprofundamento da crise de realização do valor. O capitalismo se aproxima assim de seus próprios limites estruturais, pela ação de suas leis imanentes: a contradição entre as forças produtivas e as relações sociais de produção se agudiza. As relações capitalistas de produção e distribuição terminam por travar o desenvolvimento do potencial produtivo já existente nas forças produtivas, forçando a superação histórica destas mesmas relações sociais de produção, distribuição e apropriação.
Deste modo, a transição do modo de produção capitalista para um modo de produção socialista é impulsionada pelas próprias leis imanentes da produção capitalista. Frente a estas leis, a sociedade capitalista não dispõe de alternativas senão a de adotar mecanismos de socialização da riqueza para assegurar a sustentação do próprio modelo de acumulação do capital, ainda que isso se realize pela via de uma distribuição crescentemente desigual, como veremos ao longo desta exposição. Precisamente por isso, a classe trabalhadora e as comunidades organizadas devem assumir um papel central na superação dos circuitos econômicos do capital pelos circuitos econômicos solidários como modo de produção, circulação e apropriação hegemônicos.
Este modelo sustenta a demanda mediante a expansão do crédito monetário, uma estratégia estruturalmente insustentável. À medida que famílias, empresas e governos se aproximam de seu teto de endividamento, o valor recebido pelo trabalho, vendas ou impostos se destina cada vez mais ao pagamento de dívidas passadas — e não ao consumo, ao investimento ou ao financiamento dos gastos presentes —, o que termina travando o desenvolvimento das forças produtivas. O resultado são crises recorrentes de inadimplência e insolvência.
| Setor | 2000 (% do PIB) |
2024 (% do PIB, Est.) |
Variação (p.p.) |
|---|---|---|---|
| Famílias | 50 | 58 | +8 |
| Governo | 60 | 93 | +33 |
| Empresas | 77 | 98 | +21 |
| TOTAL | 187 | 249 | +62 |
Fonte: Elaboração do autor com base em: DOBBS et al, 2018; LOMBARDI, et al, 2023; IMF, s.d.a; IMF, 2024; IMF, 2025b; IIF, 2024; IIF, 2025. Margem de erro por intervalo de cobertura: ±10%.
O segundo modelo se fundamenta na distribuição social do valor produzido e opera mediante um conjunto heterogêneo de mecanismos. Entre eles se encontram os fundos públicos redistributivos — como a renda básica universal, os benefícios e pensões não contributivos e os sistemas de proteção social — que permitem transferir parte do excedente social às maiorias e sustentar a demanda sem recorrer ao endividamento improdutivo. Inclui também as formas cooperativas próprias da Economia Solidária, nas quais a autogestão e a propriedade associativa dos meios de produção, circulação e crédito possibilitam uma distribuição equitativa dos resultados e a apropriação coletiva dos excedentes de produtividade.
A este conjunto se somam as sociedades anônimas que incorporam mecanismos de repartição social do excedente, como a participação nos lucros, os fundos de empregados, a participação acionária dos trabalhadores ou diversas modalidades de dividendos sociais. Do mesmo modo, as empresas públicas — sejam de titularidade estatal plena ou de economia mista com mandato social explícito — constituem outro vetor de socialização do valor realizado em setores estratégicos.
Em seu conjunto, estes mecanismos produzem efeitos estruturais convergentes: contribuem para superar progressivamente a contradição entre capital e trabalho assalariado; permitem reduzir de forma sustentada a jornada laboral sem perda de bem-estar; favorecem a apropriação social dos excedentes de produtividade; e promovem uma socialização crescente da economia. Esta socialização, paradoxalmente, é impulsionada pelas leis imanentes do capitalismo, que, por seus efeitos, criam condições que propiciam a expansão de formas associativas e solidárias de reprodução social.
A ampliação da automação na produção tangível e intangível, assim como na circulação e no crédito, impacta todo o circuito do valor. Este processo conduz a uma redução significativa da massa salarial e, em consequência, a uma diminuição equivalente do consumo final baseado em compras no mercado.
Nos países onde a transição das relações sociais de produção não avançou, esta queda da massa salarial em relação ao PIB é persistente e contribui para uma menor demanda interna solvente. Pelo contrário, nos países que avançam na transformação de suas relações sociais de produção, a participação relativa dos salários no PIB aumenta, fortalecendo tanto a demanda interna como a dinâmica do crescimento econômico.
Os dados recentes confirmam esta tendência divergente: enquanto a proporção da massa salarial no PIB desce em escala mundial — e o faz de forma mais pronunciada nos Estados Unidos e moderadamente na Zona do Euro —, a China registra um aumento significativo, refletindo o êxito de sua transição em curso.
| Entidade | 2000 (%) | 2024 (ou mais recente) | Variação (p.p.) |
|---|---|---|---|
| Mundo | 53,8% | 51,9% (2023) | -1,9 |
| EUA | 62,1% | 56,3% (T2 2024) | -5,8 |
| Zona Euro | 59,3% | 56,8% (2023) | -2,5 |
| China | 48,2% | 58,1% (2023) | +9,9 |
Fonte: Elaboração do autor, com base em: FRED, s.d.a; FRED, s.d.b; FRED, s.d.c; ILO, s.d.; ILO, 2016; WEKSLER, 2023. Margem de erro por intervalo de cobertura: ±3%
Assim, a queda da massa salarial nos países com transição estagnada implica uma redução acumulada da demanda solvente sustentada por salários entre 2000 e 2024 (EUA: –5,8 p.p.; Zona Euro: –2,5 p.p.). Em contraste, ali onde a transição avança — como na China — a demanda solvente cresce de maneira significativa (+9,9 p.p. no mesmo período). Em síntese, a redistribuição dinamiza a economia e sustenta a correspondente demanda interna.
Da perspectiva do mercado, a diminuição da massa salarial em relação ao Produto Interno Bruto provoca uma crise de reprodução do capital, ao dificultar — em particular — a realização da mais-valia. Ante a insuficiência de demanda solvente, a economia é empurrada para níveis crescentes de endividamento privado e público. Em contrapartida, quando a massa salarial se expande, a demanda interna sustentada se fortalece, o que por sua vez impulsiona os investimentos produtivos e favorece o crescimento do produto interno bruto.
No contexto da crise atual do capitalismo, emerge uma contradição estrutural entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações sociais de produção: estas, ao distribuir proporções cada vez menores do valor gerado, impedem que as forças produtivas existentes realizem plenamente seu potencial. Tal contradição impulsiona uma transição histórica do modo de produção capitalista para um modo de produção socialista.
Se entendermos o socialismo — do ponto de vista do fluxo econômico — como um sistema de relações sociais de produção, distribuição e apropriação social do valor, mediado por diversos mecanismos políticos e sociais (entre eles, formas empresariais associativas, fundos públicos redistributivos e provisão de bens e serviços de livre apropriação), e articulado sob um regime misto de propriedade que combina propriedade individual com posse comum e propriedade pública, então existem vários indicadores empíricos relevantes para avaliar o avanço desta transição estrutural.
A redução da massa salarial contrai a demanda interna, incrementa o endividamento de famílias e Estados e dificulta crescentemente a realização da mais-valia. Ao restringir-se a demanda solvente, o sistema se vê obrigado a introduzir mecanismos compensatórios de socialização — direta ou indireta — para manter a reprodução ampliada do capital.
À medida que amplos setores da população ficam excluídos da renda salarial, intensifica-se a busca de fontes alternativas de subsistência. Uma fração minoritária, carente de oportunidades institucionais e de integração formal, termina empurrada para atividades ilegais. Este processo gera um ciclo de retroalimentação: a precariedade amplia o recrutamento potencial do crime organizado e, por sua vez, a expansão destas redes ilegais consolida economias paralelas baseadas na produção e circulação ilícitas.
Em síntese, a crise de distribuição de renda não só debilita a reprodução econômica, mas também cria condições estruturais que favorecem a expansão do crime organizado como via alternativa — embora perversa — de acesso a meios de subsistência.
Os fundos públicos atuam, na transição sistêmica, como mecanismos de socialização da riqueza socialmente produzida. No entanto, seu alcance e aplicação variam entre os países que resistem a essa transição — onde permitem sustentar níveis mínimos de demanda em contextos de retração da massa salarial — e aqueles que nela avançam, nos quais esses fundos desempenham um papel decisivo na sua aceleração.
Ante a crise de demanda, o capital recorre a transferências estatais para prover renda adicional aos setores cuja renda ou acesso ao crédito se situa abaixo de um limite mínimo com o objetivo de assegurar-lhes um consumo básico.
Desse modo, políticas redistributivas de complementação de renda, em expansão global, permitem a amplos grupos sociais garantir um consumo mínimo. Inclusive nos Estados Unidos, cerca de 41,7 milhões de pessoas recebem aproximadamente 199 dólares mensais em vales de alimentação, totalizando ao redor de 100 bilhões de dólares por ano em transferências federais (USDA, s.d.).
No entanto, tais transferências mínimas só compensam parcialmente a insuficiência estrutural de demanda solvente. Não conseguem destravar a realização do valor potencial gerado pelas forças produtivas, enquanto o endividamento, crescentemente insustentável, desvia uma parte significativa da renda para o pagamento de juros. Este processo reduz o consumo presente e contrai ainda mais o consumo futuro, em proporção direta à taxa de juros que deve ser paga.
De fato, a transferência mínima, ao sustentar unicamente um nível básico de demanda solvente, permite apenas uma realização muito limitada de valor, muito abaixo do potencial das forças produtivas aprisionadas por este mecanismo de reprodução insustentável. Em consequência, a expansão de impostos progressivos sobre grandes fortunas e altos rendimentos — capaz de ampliar de maneira substantiva os fundos públicos — se torna uma condição necessária para fortalecer sustentavelmente a demanda interna, como ilustram os programas de renda básica universal. Deste modo, o próprio capitalismo, ao adotar tais medidas, avança para mecanismos de corte socialista para enfrentar uma de suas fendas sistêmicas mais profundas.
Nos países que avançam nesta transição, a ampliação de tributos redistributivos fortalece os fundos públicos e favorece uma socialização crescente da riqueza. Estes fundos financiam não só transferências monetárias para o consumo básico e a segurança alimentar, mas também serviços públicos universais de saúde, educação e assistência social, cuja qualidade tende a melhorar de maneira gradual. Igualmente, permitem fortalecer o desenvolvimento científico e tecnológico, construir, expandir ou melhorar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento industrial e comercial — reduzindo custos de produção e logística — e prover crédito produtivo de baixo custo, diminuindo as barreiras ao investimento e estimulando a inovação, a produção e a circulação de novos bens e serviços.
Em suma, os fundos públicos não só permitem ao Estado universalizar o acesso a bens e serviços que, pela lógica do mercado, seriam inacessíveis para amplos setores excluídos do salário; também permitem implementar políticas públicas que facilitam o investimento e contribuem para que as empresas possam desenvolver-se e sustentar níveis de massa salarial capazes de manter uma demanda solvente ampliada, conforme o próprio crescimento econômico real alcançado por essas empresas.
Existe uma tendência global de aumento do gasto em pensões e aposentadorias, que são mecanismos republicanos de redistribuição do valor socialmente produzido. Na China, este incremento é especialmente significativo e contribui de maneira direta para ampliar a demanda interna solvente. Em contraste, nos Estados Unidos a estagnação do gasto previdenciário reflete uma resistência à transição distributiva, o que limita a expansão sustentada de sua demanda interna. Em geral, os países que avançam nesta transição tendem a elevar a proporção do PIB destinada a estes mecanismos com o fim de sustentar a demanda solvente da população não ativa.
| Região/País | 2000 (%) | 2024 (est.) (%) | Variação (p.p.) |
|---|---|---|---|
| Mundo | 6,2% | 7,6% | +1,4 |
| EUA | 5,1% | 5,1% | 0 |
| Europa (UE média) | 11,8% | 12,1% | +0,3 |
| China | 2,1% | 5,6% | +3,5 |
Fonte: Elaboração do autor com base em: STATISTA. s.d.d; STATISTA. s.d.g; EUROPEAN COMMISSION, s.d.a; EUROPEAN COMMISSION, s.d.b; EUROPEAN COMMISSION, 2002; FANG y FENG, 2019; CEIC DATA, s.d. Margem de erro por intervalo de cobertura: ±2%
Com base na lógica de que a distribuição de valor para consumo dinamiza as cadeias produtivas e gera efeitos multiplicadores sobre a atividade econômica, os países que mais avançam nesta transição destinam uma proporção crescente de recursos a aposentadorias e pensões em relação à expansão do PIB. Deste modo, sustentam a ampliação da demanda interna solvente também por meio deste mecanismo redistributivo.
Com base em princípios solidaristas, aquilo que as gerações presentes recebem das gerações anteriores deve ser justamente compartilhado para promover maior igualdade, liberdade e solidariedade entre todos nas gerações seguintes.
A partir de diversos indicadores, observa-se que mecanismos de corte socialista — fundados na solidariedade republicana e em princípios redistributivos segundo os quais quem mais recebe tem uma dívida social com quem menos recebe — tendem a expandir-se nos países que avançam na transição. Sem estes mecanismos, a trajetória previsível é um endividamento crescente de famílias, empresas e governos, conduzindo a situações potencialmente insolventes que bloqueiam o desenvolvimento das forças produtivas e favorecem a expansão de redes criminais como forma perversa de acesso a renda.
Neste marco, dado que quem mais recebe das gerações anteriores assume maior responsabilidade redistributiva, a apropriação privada do conhecimento acumulado pela humanidade realizada pelas empresas de inteligência artificial constitui um processo de espoliação social de valor de uso. Estas empresas transformam conhecimento social — produzido coletiva e historicamente pelas gerações anteriores e presentes — em valor de troca, ao empregá-lo como insumo para gerar respostas, serviços e produtos comercializados.
Portanto, a captura privada desta riqueza cognitiva equivale a uma transferência unilateral de valor desde a sociedade para o capital tecnológico. Enfrentar essa espoliação exige que as empresas que se apropriam deste acervo comum contribuam mediante tributação específica destinada a fundos públicos, do mesmo modo que os impostos sobre grandes fortunas financiam programas como a renda básica universal.
Este princípio solidarista de transferência de valor opera, assim, como um mecanismo de transição para relações sociais de apropriação mais próximas ao socialismo — uma sociedade na qual os valores socialmente produzidos são compartilhados em função do bem comum — ainda quando não se tenha produzido uma mudança estrutural completa no modo de produção capitalista.
Marx sustenta que as sociedades anônimas (S.A.) e as cooperativas representam as duas formas iniciais de superação interna do próprio modo de produção capitalista.
As sociedades anônimas capitalistas, assim como as fábricas cooperativas, devem ser consideradas como formas de transição do modo de produção capitalista ao modo de produção associado, só que no primeiro caso a contradição se supera negativamente, e no outro, positivamente (Marx, 1964, p. 456).
A sociedade anônima supera negativamente a figura do capitalista individual ao substituí-la por uma propriedade socializada entre acionistas. No entanto, não elimina a relação capital/trabalho: a direção e o controle continuam separados dos trabalhadores, e a apropriação do excedente mantém a lógica capitalista.
A cooperativa, em contrapartida, constitui a forma que supera positivamente a contradição entre capital e trabalho, pois a autogestão elimina a separação entre quem possui os meios de produção e quem realiza o trabalho e se apropria coletivamente de seus resultados.
Em outra parte, Marx sublinha que as empresas cooperativas na Inglaterra obtinham um lucro — isto é, realizavam um excedente — superior ao lucro médio de mercado obtido pelas empresas capitalistas:
A partir dos registros contábeis públicos das fábricas cooperativas na Inglaterra se vê que [...] o lucro era maior que o lucro médio, embora em alguns casos pagassem um juro muito mais alto que os fabricantes privados. A causa do maior lucro em todos estes casos era uma utilização mais econômica do capital constante. [...] Como aqui o lucro era maior que o lucro médio, também o ganho empresarial era maior que de costume (Marx, 1964, p. 401-402).
As cooperativas, portanto, realizavam um mais-valor extraordinário (Extramehrwert), obtendo um lucro superior ao lucro médio graças a uma utilização mais eficiente do capital constante.
Neste sentido, para Marx, ambas as formas expressam uma tendência histórica de transição, não um modo de produção alternativo plenamente constituído, mas etapas parciais na transição do capitalismo para um modo de produção associativo.
Essa transição ocorre segundo o jogo das leis imanentes da produção capitalista — relacionado com a expropriação de valores mediante a realização de mais-valor extraordinário na competição intercapitalista pelos mercados —, que conduz à concentração e centralização do capital, à quebra ou absorção de competidores e à progressiva socialização dos processos produtivos. Finalmente, estas mesmas leis imanentes, segundo Marx, levam à superação do próprio modo de produção capitalista:
Quem será expropriado, agora, não é mais o trabalhador [...], mas o capitalista que explora a muitos trabalhadores [...]. Esta expropriação se consuma por meio do jogo das leis imanentes da própria produção capitalista [...] (Marx, 1962, p.790).
À luz deste marco analítico, a evolução recente do capitalismo global mostra que a transição apontada por Marx não se deteve. A expansão de sociedades anônimas com propriedade difusa, economias cooperativas, empresas públicas, fundos soberanos, fundos públicos e diversas formas de propriedade social expressa a mesma tendência histórica convergente: uma socialização crescente de funções econômicas que antes eram exercidas exclusivamente pelo capital privado; a ampliação e diversificação de formas de apropriação social e pública de produtos, serviços e resultados econômicos; e a expansão de modalidades associativas e públicas de gestão e de destinação social dos excedentes.
Ao mesmo tempo, o avanço do desenvolvimento tecnológico atual aprofunda a competição e favorece a realização de mais-valor extraordinário por parte dos setores que avançam mais intensamente na transição sistêmica.
Com base neste critério, se constata que não só as sociedades anônimas são responsáveis por cerca de 60% do PIB global, mas que as cooperativas, as empresas estatais e as iniciativas do terceiro setor e da economia popular e solidária geram conjuntamente um produto equivalente a ao redor de 23% do PIB real mundial.
A expansão da economia popular e solidária constitui uma reação concreta à incapacidade do capitalismo contemporâneo para gerar postos de trabalho suficientes e distribuir renda em forma de salário. Este setor avança na conformação de novas relações sociais de produção, distribuição, consumo e crédito no atendimento de necessidades econômicas de amplos grupos sociais.
| Forma de Propriedade | EUA | China | BRICS+ | União Europeia | Mundo |
|---|---|---|---|---|---|
| Sociedades Anônimas 1 – S.A. | 65% | 35% | 40% | 48% | 60% |
| Firmas Individuais/PMEs/Ltda. | 20% | 20% | 22% | 25% | 20% |
| Empresas Estatais (SOEs) | 1,5% | 40% | 28% | 11% | 13% |
| Cooperativas/Mútuas | 0,8% | 4,5% | 3,5% | 6% | 4% |
| Terceiro Setor | 12% | 0,5% | 1% | 10% | 3% |
| → SUBTOTAL CONTABILIZADO | 100% | 100% | 100% | 100% | 100% |
| Economia Popular e Solidária (EPS) | 1,5% | 1,2% | 4,0% | 3,2% | 3,2% |
| Economia Informal (não EPS) | 8,0% | 15,0% | 35,0% | 10,0% | 25,0% |
| → SUBTOTAL NÃO CONTABILIZADO | 9,5% | 16,2% | 39,0% | 13,2% | 28,2% |
| → TOTAL GERADO (PIB AMPLIADO) |
108,80% | 116,2% | 133,50% | 113,2% | 128,2% |
Fonte: Elaboração do autor com base em: WORLD BANK, 2023; WORLD BANK, 2024; ZHANG, 2019; HUANG, 2023; INDEPENDENT SECTOR, 2024; WORLD ECONOMICS, s.d.; ILO, 2024; ELGIN et al, 2001; UNCTAD, 2023; FORTUNE, 2024; MALOUCHE, 2023; OECD, 2024; ICA, 2023; INDEPENDENT SECTOR, 2023; ANHEIER, 2023; JOHNS HOPKINS CENTER FOR CIVIL SOCIETY STUDIES, 2021; ILO, 2023; PUBLICATIONS OFFICE OF THE EUROPEAN UNION, 2023; U.S. SMALL BUSINESS ADMINISTRATION, 2023a; U.S. SMALL BUSINESS ADMINISTRATION, 2023b; EU SME CENTRE, 2025; WORLD BANK, 2025; IMF, s.d.b. Margem de erro por intervalo de cobertura: ±7% oficial e ±20% não contabilizado.
O exame da relação entre os mercados e os processos produtivos contemporâneos mostra que os países que impulsionam políticas de distribuição da renda — seja mediante transferências diretas ou aumento sustentado do salário mínimo — alcançam resultados econômicos superiores. As experiências do Brasil e da China são particularmente ilustrativas de que essa distribuição de recursos ativa o conjunto das cadeias produtivas relacionadas com o consumo final expandido.
Isto é, a distribuição de renda dinamiza as cadeias produtivas do consumo final, mas igualmente as do consumo intermediário, gerando efeitos multiplicadores sobre a produção e o emprego. Isto se explica porque, como sublinha Marx, o circuito de uma mercadoria está integrado nos circuitos de muitas outras: sua produção requer um consumo produtivo de múltiplos insumos, bens intermediários e serviços. E, de fato, todos esses circuitos estão interconectados.
Portanto, o aumento do consumo final não ativa unicamente a cadeia do bem adquirido, mas reativa uma rede ampla de setores interconectados. O valor redistribuído que ingressa em um ponto do circuito irriga — com seus efeitos — o conjunto do sistema produtivo, estimulando o investimento, a expansão da demanda solvente em países que avançam na transição e a atividade econômica geral.
A economia popular e solidária constitui uma resposta concreta ao desemprego estrutural e avança na criação de novas relações sociais de produção, apropriação, distribuição e crédito. Seu aporte econômico é significativo: produz um volume equivalente a 3,2% do PIB global, embora grande parte desta atividade permaneça fora dos registros oficiais.
Se examinarmos como os países enfrentam a transição nas relações sociais de produção, circulação, crédito e consumo, observamos — em continuidade com as tendências apontadas por Marx — um crescimento sustentado do setor cooperativo em escala mundial. Os trabalhadores excluídos do emprego formal buscam alternativas solidárias que lhes permitam participar produtivamente em iniciativas autogestionadas. Em muitos países, o cooperativismo constitui um setor forte e consolidado; junto a ele, no âmbito associativo, se expande também a economia solidária não formalizada em cooperativas, com múltiplas formas de produção, distribuição, crédito e consumo.
Por outro lado, quando o mercado de trabalho formal se reativa e os salários pagos por empresas capitalistas aumentam, muitos trabalhadores transitam dessas economias associativas e suas atividades autogestionadas para empregos subordinados ao capital, motivados pela melhoria de renda que estes oferecem.
Não obstante esta dinâmica oscilante, e mais além do caráter solidário ou não de parte das cooperativas, o número de cooperativas e de pessoas cooperadas continua crescendo de maneira consistente em todo o mundo.
De 2000 a 2024, o número de cooperativas quadruplicou — passando de 760 mil para cerca de 3 milhões — e a quantidade de pessoas cooperadas aumentou 55%, de 800 milhões para 1,24 bilhões. O crescimento proporcional do número de cooperados neste período foi superior ao incremento da população mundial, com uma taxa de penetração global que passou de 13,0% para 15,3%. Esta participação percentual tende a elevar-se nas próximas décadas, impulsionada pelos processos de automação na produção de bens tangíveis e intangíveis e nos sistemas de distribuição.
| Indicador | 2000 | 2024 | Observação |
|---|---|---|---|
| Número de Cooperativas | 760 mil | 3 milhões | Quadruplicou (3,95x) |
| Número de Cooperados | 800 milhões 2 | 1,24 bilhões | Aumento de 55% |
Fonte: Elaboração do autor com base em: ICA y EURICSE, 2025b; AGWAY INCORPORATED,1992; PRAKASH, 1999; LAO NEWS AGENCY (KPL), 2001. Margem de erro por cobertura: para 2000 (±9,4%); 2024 é projetado com base em 2023 (+2–3% de crescimento).
| Indicador | 2000 | 2024 | Crescimento Absoluto | Crescimento Relativo |
|---|---|---|---|---|
| Nº de Cooperados | 800 milhões | 1,24 bilhões | +440 milhões | +55% |
| População Mundial | 6,14 bilhões | 8,12 bilhões | +1,98 bilhões | +32% |
| Taxa Penetração | 13,00% | 15,3% | - | +2,3 p.p. |
Fonte: Elaboração do autor com base em: ICA y EURICSE, 2025b; WORLD BANK, s.d.a; AGWAY INCORPORATED,1992; PRAKASH, 1999; LAO NEWS AGENCY (KPL), 2001. Margem de erro por cobertura: para 2000 (±9,4%); para 2024, projeção a partir de 2023 (+2 a 3% de crescimento). A taxa de penetração pode variar considerando membros ativos vs. totais.
Por sua parte, o faturamento das 300 maiores cooperativas do mundo experimentou um crescimento de 45% em apenas seis anos, entre 2017 e 2023. Este dinamismo se reflete também na expansão agregada do setor: a economia cooperativa e solidária em seu conjunto representa aproximadamente 7% do PIB global.
TOP 300
AO LONGO DOS ANOS As 300 principais empresas por faturamento em dólares estadunidenses [em bilhões de dólares] - câmbio médio de 2023 |
Fonte: ICA y EURICSE, 2025a, p. 5
No marco da transição da economia capitalista para a economia associativa, as cooperativas e a economia solidária produzem hoje o equivalente a aproximadamente 7% do PIB global.
Se observarmos alguns países dos BRICS, verificamos que o número de cooperativas continua expandindo-se de maneira consistente:
China:
Índia:
Brasil:
Estes dados mostram que o volume do trabalho associativo e cooperativo segue crescendo em todo o mundo. Isto ocorre tanto porque essas iniciativas asseguram formas de ocupação para populações excluídas do mercado laboral capitalista, como porque ampliam sua capacidade de compra mediante mecanismos cooperativos de crédito e garantem o acesso a bens e serviços básicos. Com isto, o setor fortalece a demanda interna solvente e a resiliência econômica das comunidades.
Contudo, estes setores cooperativos continuam subordinados aos circuitos econômicos do capital. Uma parte do que produzem ingressa como insumo produtivo e outra parte ingressa diretamente como produto nos circuitos do capital. Seja como insumo para o setor produtivo ou como produto para o setor comercial, em ambos os casos os valores gerados em uma economia não capitalista — em um modo de produção associativo, sem patrão nem empregado — terminam ingressando no circuito do capital e permitindo a realização de valores.
A produção solidária ainda depende da circulação capitalista para a distribuição e a realização do valor. A produção cooperativa ingressa no CEC como insumos e outros meios produtivos, ou como produtos finais.
Na disputa pela apropriação do mais-valor, o preço de intercâmbio e o lugar onde ocorre o intercâmbio (CES ou CEC) determinam se ele será apropriado no CES ou no CEC.
De fato, o valor de um produto se compõe dos custos de sua produção e do mais-valor criado pelo trabalho.
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Valor
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Mais-valor |
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Custos |
O preço de venda, na circulação, em relação ao valor do produto, pode ser menor, igual ou maior.
Quando um produto elaborado de maneira totalmente solidária sai de um Circuito Econômico Solidário (CES) e ingressa no Circuito Econômico do Capital (CEC), se apresentam quatro casos possíveis na relação entre custo, valor e preço de intercâmbio:
A partir destes cenários, se torna evidente que a forma em que se organiza a circulação — e, em particular, a determinação dos preços, isto é, dos termos de intercâmbio — condiciona diretamente a capacidade do CES para reter ou perder mais-valor frente ao CEC.
A superação da subordinação estrutural do Circuito Econômico Solidário (CES) ao Circuito Econômico do Capital (CEC) requer uma estratégia capaz de reter, realizar e expandir o mais-valor gerado pelas iniciativas associativas. A via mais consistente para isto é a organização de redes colaborativas de CES que integram suas cadeias produtivas de modo amplo.
Na medida em que as cooperativas e demais formas associativas produzem bens e serviços que devem circular para realizar seu valor, o fato de que tal circulação permaneça dentro do próprio CES, ou que se realize no CEC sob termos de intercâmbio determinados pelo CES, permite que:
Com isto, o mais-valor, que escaparia do setor associativo, é realizado sob seu controle e permite investimentos que resultam em cadeias produtivas mais eficientes, com melhorias de produtividade das empresas cooperativas em sua competição com as empresas capitalistas.
Em outras palavras, a articulação em rede permite integrar produção, distribuição, crédito e consumo em um circuito econômico baseado na autogestão, onde o mais-valor circula e se expande internamente. Assim, cada unidade cooperativa deixa de operar de maneira isolada — intercambiando valor com o CEC em condições desfavoráveis — para converter-se em parte de uma cadeia integrada de cooperação, capaz de produzir e realizar valor em seu próprio âmbito e desenvolver-se tecnologicamente.
Desse modo, a formação de redes colaborativas de CES se apresenta não somente como uma ação defensiva mas como uma estratégia ativa de expansão sistêmica, que permite às iniciativas solidárias incrementar sua capacidade de geração, realização e acumulação de mais-valor em favor das próprias comunidades produtoras e consumidoras.
Na medida em que as cooperativas nelas integradas se desenvolvem tecnologicamente, vão criando condições de realizar mais-valor extraordinário (Extramehrwert) em sua competição com as empresas capitalistas, as quais vão deixando de existir nesses setores, pois a produção capitalista vai sendo substituída pela produção cooperativa.
Considerando os aspectos já analisados e examinando como aproveitar a crise sistêmica do capitalismo para libertar e potencializar as forças produtivas, de intercâmbio e de crédito, é possível apontar uma estratégia orientada a aprofundar a transição sistêmica:
A superação da crise do capitalismo mediante a autogestão conduz à transição para o sistema associativo, consolidado como um modo solidário de produção, apropriação, intercâmbio, crédito e consumo, assim como uma formação social democrática que promove o livre desenvolvimento das individualidades e das comunidades humanas. Isto requer um fortalecimento progressivo da economia solidária frente à sua subordinação ao capital, articulando seus fluxos de materiais, poderes e conhecimentos, o que pode ser alcançado mediante a construção de Circuitos Econômicos Solidários (CES).
O desenvolvimento tecnológico e organizacional das cooperativas incrementa sua capacidade competitiva frente às empresas capitalistas. À medida que se consolidam em determinados setores, a produção cooperativa tende a deslocar e substituir as empresas capitalistas, que deixam de existir nesses âmbitos de atividade econômica.
A construção de CES implica a integração de cadeias produtivas cooperativas de maneira articulada, com o fim de evitar a fuga de valor para os Circuitos Econômicos do Capital (CEC). Esta integração permite realizar internamente o mais-valor, estabelecer termos de intercâmbio favoráveis ao setor solidário e potencializar encadeamentos produtivos, o que se traduz em maiores níveis de eficiência, expansão da riqueza e fortalecimento estrutural do sistema associativo.
No plano econômico, dois elementos são decisivos para a transição ao sistema associativo: o controle da realização do valor e a determinação do lugar onde tal realização ocorre.
Quem define o preço no intercâmbio controla a realização do valor, a apropriação do mais-valor e a acumulação resultante.
O primeiro aspecto, por isso, é o controle autogestionado da realização do valor: operando em redes colaborativas solidárias, as cooperativas e demais iniciativas associativas, ao fixar seus próprios preços, podem realizar o valor em termos favoráveis, reter o mais-valor e acumulá-lo para o fortalecimento de seu próprio circuito.
O segundo elemento é a capacidade de determinar em que circuito econômico — CES ou CEC — se realiza o mais-valor. Inclusive quando os preços são idênticos, a realização em um ou outro circuito produz efeitos completamente distintos.
Para ilustrá-lo, consideremos um mesmo produto com igual custo, valor e preço em dois cenários:
O resultado difere estruturalmente:
Os CES podem fornecer insumos e meios intermediários às empresas capitalistas, a baixo preço, mas acima dos custos de produção. Assim, embora parte do mais-valor ordinário objetivado no produto solidário continue fluindo para o CEC, outra parte, que foi realizada, permanece e se acumula na economia solidária, fortalecendo seu setor comercial e produtivo.
Por outro lado, quando os CES conseguem realizar mais-valor extraordinário — vendendo acima do valor e abaixo do preço médio de mercado — capturam valor produzido por empresas capitalistas que não conseguem realizá-lo. Isto é, aplicam na prática o que Marx denominou "expropriação dos expropriadores" pelas leis imanentes da produção que se regula pela competição do mercado.
Este duplo movimento — retenção interna de mais-valor ordinário e apropriação de mais-valor extraordinário — gera uma expansão crescente do setor cooperativo e uma redução estrutural do setor capitalista, impulsionando a transição para um novo padrão sistêmico baseado na autogestão.
A transição para um Sistema Econômico Associativo exige compreender como os fluxos de intercâmbio estruturam a reprodução do valor em qualquer sistema econômico. A partir deste reconhecimento, os Circuitos Econômicos Solidários (CES) se apresentam como uma estratégia capaz de reorganizar o consumo, a produção, a circulação e o crédito para fortalecer práticas econômicas baseadas na cooperação, na autogestão e na sustentabilidade social e ecológica. Esta seção expõe os fundamentos, vantagens e modalidades desta estratégia, assim como um exemplo concreto que demonstra sua viabilidade.
A estratégia aqui proposta para a transição a um sistema econômico associativo — baseada em Circuitos Econômicos Solidários (CES) — parte do reconhecimento de que o intercâmbio é a condição necessária para a reprodução simples ou ampliada do valor.
Dado que toda produção requer a circulação para realizar o valor produzido, o primeiro passo consiste em reorganizar os fluxos de consumo final de famílias (bens e serviços finais), o consumo produtivo dos empreendimentos ou empresas (meios de produção) e o consumo governamental (bens e serviços públicos adquiridos mediante compras públicas), orientando-os progressivamente para redes solidárias para realizar o valor da produção ecossolidária.
A estratégia se inicia com a organização de cooperativas de consumo, que estabelecem seus próprios empreendimentos comerciais tanto para o abastecimento do consumo final das famílias como para o fornecimento de meios de produção destinados ao consumo produtivo dos empreendimentos cooperativos ou associativos. A isto se soma a disputa por políticas públicas de compras, dirigidas a garantir que os governos adquiram produtos ecossolidários, dada sua superioridade social e ambiental frente às mercadorias provenientes dos CEC.
A partir desta base, os CES reorientam os fluxos materiais e monetários para processos autogestionados.
A adoção de produtos ecossolidários oferece benefícios diretos e indiretos de caráter social e ecológico, pois em sua produção, circulação e consumo:
Deste modo, o CES afirma uma racionalidade econômica alternativa à lógica acumulativa dos CEC, em contraste com as práticas de exploração, expropriação, espoliação, exclusão e degradação intrínsecas ao capitalismo, que geram profundos impactos negativos nos planos ecológico e social.
A viabilidade desta estratégia pode apreciar-se no caso da Coop – Cooperativa de Consumo do ABC paulista (Brasil). Fundada em 1954 por trabalhadores organizados de uma empresa em Santo André, abriu sua base social a toda a região na década de 1970. Segundo seu balanço de 2024 (Coop, 2024, pp. 16, 20, 32), ela conta com:
No Brasil, as "sobras" distribuídas por cooperativas em 2024 alcançaram R$ 51,4 bilhões (cerca de US$ 10 bilhões), retornando às comunidades e financiando novos projetos (SOMOS COOPERATIVISMO, s.d.).
Nos CES, os excedentes realizados podem destinar-se, sob autogestão comunitária, ao desenvolvimento territorial: a partir das demandas de consumo e das ofertas que as satisfaçam, elaboram-se estratégias de fortalecimento de cadeias locais e de ampliação de capacidades produtivas, combinando diferentes modalidades de intercâmbio.
Os CES integram distintas modalidades de intercâmbio, adequadas a necessidades e a distintas culturas comunitárias:
As transações nestas três modalidades de intercâmbio podem ser registradas em blockchains, o que facilita a autogestão comunitária, local e global, dos fluxos de valor econômico.
O objetivo é liberar progressivamente o intercâmbio da escassez do dinheiro, avançando para a desmonetização parcial da circulação.
A organização de plataformas digitais para mediar estes intercâmbios, com o emprego de aplicações baseadas em blockchain, projeta um forte potencial de crescimento para este movimento, considerando que a taxa de penetração cooperativa na população mundial — que passou de 13,0% a 15,3% em 24 anos — tende a acentuar-se ante os impactos dos processos de automação global. A atual expansão do setor cooperativo pode acelerar-se significativamente mediante a superação da escassez monetária na circulação econômica da economia solidária para a realização do valor, graças ao emprego destas tecnologias junto com metodologias estrategicamente desenhadas para tal fim.
Observa-se que os países que implementam mecanismos efetivos de redistribuição de renda — como renda mínima, aumento real de salários e aumentos reais em aposentadorias e pensões — experimentam uma dinâmica sólida de retroalimentação em suas economias. Isto gera um processo de demanda sustentada, baseado não no endividamento mas na distribuição real do valor, o que propicia um crescimento economicamente sustentável.
O crescimento economicamente sustentável ocorre em países que promovem a distribuição de renda, não só expandindo a economia mediante uma demanda sustentada em capacidade real de pagamento, mas também assegurando a capacidade para absorver o endividamento adicional. Em contraste, a crise de endividamento se manifesta em países cujo consumo de famílias, empresas e governos está ancorado em um endividamento crescente — como Estados Unidos — onde salários, ganhos empresariais e arrecadação fiscal se veem cada vez mais comprometidos para o pagamento das dívidas contraídas no passado.
Em 2024, a dívida global alcançou aproximadamente 249% do PIB mundial (IMF, 2025a). Desse total, só ao redor de 30–35% poderia considerar-se dívida produtiva (financiando a produção e a realização efetiva de valores em bens e serviços), enquanto entre 65% e 70% (ou mesmo até quase 85%, dependendo dos critérios que se adotem) poderia classificar-se como improdutiva, isto é, não gera crescimento suficiente para cobrir seu custo e obriga a um constante refinanciamento de juros.
Os números entre 2000 e 2024 o demonstram claramente (em trilhões de USD):
Isto é, em termos agregados, para cada dólar adicional do PIB foram criados três dólares de nova dívida. Sob essa perspectiva, só 33% dessa dívida adicional foi efetivamente produtiva (serviu para produzir bens reais e realizar seu valor mediante a venda); os 67% restantes podem ser considerados improdutivos, destinados essencialmente ao pagamento de juros e ao refinanciamento da dívida financeira prévia, ou a atividades que não geraram retornos reais equivalentes no período.
Adicionalmente, se se adota o limiar médio de improdutividade da dívida sugerido por parte da literatura consolidada — cerca de 85% do PIB para governos, 90% para corporações não financeiras e 85% para famílias (CECCHETTI et al., 2011, p. 1), com a ressalva de que o limiar para famílias é estimado de forma muito imprecisa —, e adotamos hipoteticamente um limiar único de 85% do PIB para a dívida total agregada (pública + privada), considerando que a dívida global total em 2024 (excluída a dívida de organizações financeiras) alcançou cerca de 249% do PIB, então sua porção improdutiva seria 249% − 85% = 164% do PIB. Expressa como porcentagem da própria dívida total, corresponderia a 65,9%. Com limiares mais conservadores (90% a 100% do PIB), a proporção improdutiva resultaria em 63,9–59,8%, e, com critérios mais estritos (40% a 50% do PIB), alcançaria 83,9% a 79,9% da dívida total.
Embora haja divergências metodológicas na definição de "dívida improdutiva" e "produtiva" e suas magnitudes na economia global, a evidência sugere uma prevalência significativa de endividamento que não contribui diretamente ao crescimento econômico sustentável (CECCHETTI et al, 2011; SUEPPEL, 2020).
De fato, nas economias que estimulam o processo do consumo ancorado no endividamento generalizado, a população termina amplamente endividada, comprometendo uma parte importante de sua renda no pagamento da dívida improdutiva, isto é, de juros ao sistema financeiro, reduzindo gastos em consumo final de bens e serviços, que ativam a economia.
Além disso, como o processo do rápido desenvolvimento tecnológico atual reduz ainda mais o tempo de trabalho ocupado, gerando tempo de trabalho disponível e desemprego, boa parte da população não recebe recursos suficientes para o conjunto de suas necessidades e, ao não receber recursos, não consegue pagar suas dívidas, buscando atividades informais complementares, como motoristas e entregadores de aplicativos, entre outras.
O mecanismo da dívida produtiva para o desenvolvimento econômico só mantém sua solvência quando existe crescimento econômico e distribuição de valor maior que o endividamento. Se, por exemplo, em um ciclo econômico, pessoas, governos e empresas se endividam em cinco por cento — devido a que não se recebeu o suficiente em salários, impostos e excedente líquido para os pagamentos —, então, se se cortassem todos os fluxos de valores provenientes de economias não capitalistas, o único modo de saldar essa dívida seria mediante um crescimento superior a cinco por cento no ciclo seguinte, acompanhado da distribuição social do valor agregado entre as pessoas, governos e empresas que fosse suficiente para cobrir a dívida anterior. Nesse cenário, salários, tributos e excedentes líquidos acumulados aumentariam cinco por cento em valor real, permitindo a todos pagar suas dívidas do ciclo precedente. Tratar-se-ia de um crescimento alavancado pelo sistema financeiro, que permaneceria solvente sempre que o crescimento e a distribuição superassem o endividamento.
No entanto, como a taxa de juros costuma ser superior tanto à taxa de lucro como à taxa de distribuição do valor, uma parte crescente do endividamento resulta impagável. Em consequência, a economia se endivida de forma cada vez mais improdutiva e se torna insustentável, porque pessoas, governos e empresas destinam uma proporção crescente de seus salários, impostos e excedentes líquidos ao pagamento de juros, em detrimento do consumo final, governamental ou produtivo.
Em síntese, a dívida se torna insustentável e improdutiva quando: a taxa de juros real média supera a taxa de lucro (taxa de realização de excedentes); o serviço total da dívida supera o fluxo distributivo em salários, impostos e excedentes líquidos acumulados; e, portanto, a dívida contraída não pode ser paga com a distribuição do valor gerado. Pelo contrário, a dívida é sustentável e produtiva só quando: a taxa de lucro (taxa de realização de excedentes) supera a taxa de juros real média; o fluxo distributivo em salários, impostos e excedentes líquidos acumulados supera o serviço total da dívida; e, assim, a dívida contraída é paga integralmente com a distribuição do valor agregado.
Quando amplos setores da população ficam fortemente endividados e excluídos ou precarizados na relação salarial para a obtenção de seus meios de consumo — com salários reais estagnados, empregos instáveis ou, diretamente, sem acesso ao mercado formal de trabalho —, uma parte significativa dessas pessoas recorre a atividades informais ou, em menor medida, ilegais para obter renda.
Na ausência de políticas públicas que promovam formas cooperativas, associativas ou de economia solidária, muitos indivíduos terminam inserindo-se na economia informal ou, alguns deles, em atividades ilícitas de maior rentabilidade relativa, como o tráfico de drogas, o contrabando ou a extorsão.
Nos Estados Unidos — país que tem resistido a avançar em uma transição sistêmica —, o endividamento massivo das famílias (dívida estudantil, médica e de cartões de crédito), junto com salários reais estagnados há décadas, empurra pessoas vulnerabilizadas a complementar sua renda mediante atividades informais ou, mesmo, ilegais. Os programas de transferência de renda existentes mostram-se insuficientes, deixando milhões de pessoas sem uma rede efetiva de proteção social.
Neste contexto, marcado pela crise distributiva e pelo superendividamento das famílias, a economia criminal não se constitui mera anomalia marginal, mas uma resposta estrutural à exclusão do circuito formal de acumulação e distribuição do valor, própria do capitalismo contemporâneo.
Na ausência de políticas orientadas ao fomento da economia cooperativa ou solidária, uma parte dos trabalhadores endividados é empurrada para a informalidade ou para a inserção laboral precária, e a oferta de trabalho ilegal converte-se em uma alternativa de subsistência com presença difusa na sociedade estadunidense.
Pelo contrário, se existissem programas amplos e consistentes de transferência de renda e de organização econômica solidária dirigidos às populações vulneráveis, estas não necessitariam recorrer à ilegalidade para pagar suas dívidas nem para assegurar condições básicas de vida, como alimentação, vestuário e moradia.
Em síntese, se os Estados Unidos decidissem avançar em uma transição sistêmica — atuando com base nas leis imanentes da própria produção econômica —, seria possível assegurar, pelo lado do mercado de trabalho, mecanismos de produção e circulação de bens e serviços adequandos à expansão do bem-viver das pessoas e das comunidades, por meio de associações cooperativas, iniciativas de economia solidária e outras formas autogestionárias. Tais atividades se tornariam economicamente muito mais atrativas para as pessoas do que a produção e a comercialização de bens ilegais.
Ao examinar objetivamente o fenômeno das redes criminais de narcóticos desde os fatores econômicos que explicam sua existência e perduração, observa-se que, impulsionadas pela lei do mercado — de oferta e demanda de trabalho —, uma parte das pessoas vulneráveis, endividadas e excluídas socialmente encontra na demanda de mão de obra ilegal o mínimo necessário para saldar dívidas ou simplesmente sobreviver, seja produzindo e comercializando estupefacientes ou participando em outras atividades ilícitas.
Deste modo, o que impulsiona a contratação fácil de trabalhadores na produção e circulação dentro deste setor é a crise na distribuição do salário e na oferta de trabalho por parte do capital, o que deixa uma parte da população sem condições para sobreviver e a impulsiona a buscar alternativas econômicas ilícitas.
Assim, a crise na distribuição do valor consolida e profissionaliza a economia criminal. Os antigos grupos locais e rivais — no âmbito da produção e distribuição de produtos ilícitos — se fundiram ou coordenaram progressivamente em estruturas cada vez mais grandes e complexas (cartéis, consórcios, franquias territoriais), que operam com lógicas de concentração e acumulação similares às do capital legal, guiadas por leis imanentes de produção e distribuição idênticas: busca de monopólio, economias de escala, redução de custos de produção e circulação, expansão territorial, diversificação de atividades, inovação de produtos e marketing, ou captura do regulador, entre outras. Algumas destas organizações chegam a funcionar como verdadeiros holdings internacionais, com facções de diferentes países integradas em operações conjuntas temporais e com repartição de benefícios.
Se a transição sistêmica não avança em um país, a economia criminal — especialmente a associada ao narcotráfico — tende a prosperar. Para enfrentá-la de maneira estrutural, é necessário implementar um conjunto articulado de medidas econômicas e de saúde pública que incidam sobre toda a cadeia de produção, distribuição, consumo de narcóticos, assim como sobre a lavagem de dinheiro e a acumulação de capital por parte das organizações criminais. Estas políticas podem ser resumidas em três eixos fundamentais:
Esta abordagem enfraquece o poder econômico das organizações criminosas ao reduzir drasticamente a demanda que elas atendem.
Como argumentava Milton Friedman, a regulação estatal permite que pessoas dependentes obtenham a substância a menor custo e com menor risco em canais legais, o que debilita e substitui o competidor criminal por mecanismos de mercado. Ao mesmo tempo, ao retirar os usuários do circuito ilegal, se criam condições mais favoráveis para sua integração em políticas públicas de saúde, tratamento e recuperação. Nesta lógica, o crime organizado tende a reduzir-se estruturalmente por falta de demanda, em virtude das próprias leis do mercado.
Em síntese, estas três medidas — alternativas de renda digna, regulação sanitária da oferta e do consumo, e desfinanciamento do crime organizado — atacam simultaneamente as causas estruturais da oferta de mão de obra para o setor ilegal, a demanda que sustenta os mercados ilícitos e a capacidade de acumulação das organizações criminosas. Ao incidir sobre as próprias determinações econômicas que estruturam esse setor, tais medidas possibilitam combatê-lo de modo efetivo e sustentável, sem depender exclusivamente de estratégias repressivas.
Dado que o capital busca sistematicamente as maiores taxas de rentabilidade, os Estados Unidos e outras economias avançadas passaram a direcionar crescentemente seus investimentos para setores de alta tecnologia e alta margem, relegando a segundo plano o desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção de alimentos, vestuário e outros bens de consumo final, bem como de setores da indústria de base — como siderurgia e metalurgia. Tais bens e produtos passaram a ser crescentemente importados. Paralelamente, externalizaram uma parte significativa da produção de bens tecnológicos de consumo, por ser mais rentável em termos de custos de produção e retorno sobre o capital investido.
Ao atribuir maior importância estratégica ao complexo industrial-militar, os Estados Unidos continua desenvolvendo internamente tecnologias armamentísticas, mas não aquelas orientadas à reprodução cotidiana da vida em setores de menor rentabilidade.
Por sua parte, os países que desenvolvem tecnologias orientadas a elevar a produtividade na produção de bens de consumo básico e de bens de capital operam sob condições significativamente mais favoráveis que as dos Estados Unidos em muitas áreas, conseguindo reduzir de maneira substantiva seus custos de produção. Ao mesmo tempo que diminuem o valor das mercadorias mediante o desenvolvimento tecnológico, estes países incrementam moderadamente a carga tributária sobre a produção, a circulação e o consumo produtivo e final. Isso permite redistribuir os ganhos de produtividade, ao alimentar os fundos públicos com os valores arrecadados, possibilitando expandir políticas de bem-estar e de melhoria da infraestrutura para o próprio desenvolvimento, ao mesmo tempo que contém uma queda excessiva dos preços finais dos produtos no mercado interno. Os impostos obtidos financiam, em particular, políticas de distribuição de renda que sustentam uma demanda interna solvente e ativam suas próprias cadeias produtivas.
A produção desses países, orientada a satisfazer as necessidades de consumo final das pessoas e a proporcionar meios de produção mais eficientes às empresas, alcança incrementos significativos de produtividade nesses setores. Como resultado, seus produtos — tanto bens de consumo quanto meios de produção — são fabricados a custos muito mais baixos do que nas nações que descuidam desses desenvolvimentos tecnológicos, como os Estados Unidos.
Da perspectiva do comércio internacional, os produtos destes países — mais eficientes e de menor custo — ingressam em mercados como o estadunidense a preços notavelmente inferiores aos dos bens e serviços equivalentes produzidos localmente.
Marx explicou que, na fase avançada do capitalismo, sua superação ocorreria com base nas próprias leis imanentes do modo de produção capitalista. Quando uma empresa reduz seus custos e vende o produto ao preço médio do mercado — superior a seu valor individual — obtém um mais-valor extraordinário (Extramehrwert): não só realiza o mais-valor que ela mesma gerou, mas também parte do mais-valor produzido por competidores menos eficientes. Em termos marxistas, o lucro é a realização do mais-valor, isto é, a realização de um valor excedente que necessariamente foi produzido em algum lugar.
Portanto, quando uma empresa realiza mais-valor extraordinário, outra empresa que produziu esse mais-valor mas não consegue realizá-lo — porque os preços de mercado tendem a regular-se por um preço médio inferior ao valor de seu produto — tende a quebrar se não consegue reverter essa situação.
Em síntese, as empresas que reduzem custos e vendem ao preço médio do mercado, mas acima do valor individual de seu produto, realizam como lucro tanto o mais-valor que produzem como uma parte do mais-valor produzido por seus competidores. No médio prazo, estes competidores tendem a quebrar. Como destaca Marx (1964, p. 188):
Se a oferta das mercadorias ao valor médio, isto é, ao valor intermediário da massa situada entre os dois extremos, satisfaz a demanda habitual, então as mercadorias cujo valor individual está abaixo do valor de mercado realizam um mais-valor extra [Extramehrwert] ou lucro suplementar [Surplusprofit], enquanto aquelas cujo valor individual está acima do valor de mercado não conseguem realizar uma parte do mais-valor nelas contido.
Este processo favorece a formação de oligopólios e monopólios e força a conversão de empresas em sociedades anônimas como via de capitalização e expansão. No entanto, paralelamente, se desenvolve pouco a pouco um processo de superação positiva das relações de produção capitalistas mediante a expansão das cooperativas. Como apontava Marx, com base nos balanços das fábricas cooperativas inglesas, seu "lucro era superior ao lucro médio", o que implica a realização de margens de mais-valor extraordinário e demonstra a superioridade da produção associativa frente à capitalista em termos de eficiência, produção, realização e distribuição do mais-valor.
No comércio internacional se reproduz este mesmo processo de realização de mais-valor extraordinário em escala global: os países mais eficientes na produção de bens e serviços em determinados setores realizam mais-valor extraordinário ao vender acima de seu valor individual, mas ao preço médio do mercado. Deste modo, capturam parte do mais-valor gerado por produtores menos competitivos — como ocorre com certos setores industriais estadunidenses — que não conseguem realizá-lo plenamente e terminam debilitando-se ou quebrando.
Este fenômeno explica a ineficácia estrutural das guerras comerciais impulsionadas pelos Estados Unidos: as barreiras alfandegárias não revertem a perda de competitividade tecnológica nos setores afetados, mas encarecem os produtos para os compradores internos — sejam consumidores finais ou empresas de transformação e comércio — sem resolver o problema estrutural de fundo, cuja superação exige avançar na transição sistêmica.
O objetivo não declarado das tarifas é impedir a realização de mais-valor extraordinário por parte dos exportadores estrangeiros, forçando-os a reduzir seus preços de venda para compensar as tarifas de importação e não perder acesso ao mercado estadunidense, e, ao mesmo tempo, promover a reindustrialização do país ao favorecer as empresas estadunidenses que produzem com custos mais elevados.
No entanto, o resultado efetivo é que o Estado se apropria de uma porção maior do mais-valor realizado internamente, já que os compradores — pessoas e empresas — pagam preços mais altos pelos produtos importados.
A ineficácia do mecanismo é evidente. O encarecimento dos preços internos eleva os custos para consumidores e empresas nacionais, afetando negativamente a produção e o consumo. As tarifas não criam, por si mesmas, uma infraestrutura produtiva nacional competitiva nas áreas deficitárias. As empresas estadunidenses, em vez de modernizar-se e reduzir custos por meio de inovação e automação, frequentemente continuam operando com estruturas tecnológicas obsoletas e preços elevados e menos competitivos. Em suma, a política tarifária não torna a indústria estadunidense mais competitiva em escala global.
O que se observa hoje nos Estados Unidos, com as tarifas impostas durante o governo de Donald Trump, parece ser o "último suspiro" do velho capitalismo estadunidense. Porque, com essas tarifas, o que se busca é impedir que haja uma realização de mais-valor extraordinário por parte das empresas que exportam ao país, forçando-as a baixar os preços de venda ao importador, para compensar a elevação dos preços com as tarifas. E com isto o Estado se apropriaria de uma parcela do mais-valor extraordinário. No entanto, essa parcela de mais-valor não foi produzida no exterior, mas internamente, pelas próprias empresas estadunidenses que perderam competitividade frente à concorrência internacional.
Como resultado, além de que os exportadores estrangeiros seguem realizando uma parte — embora menor — do mais-valor extraordinário, os preços internos aumentam sem que exista uma base produtiva nacional capaz de produzir esses bens com custos equivalentes. Embora o encarecimento dos produtos importados torne relativamente mais atrativos os bens produzidos localmente no mercado interno, isto não os torna mais competitivos no mercado mundial.
Além disso, na medida em que o Estado se apropria de uma parte maior do mais-valor realizado mediante a venda de produtos importados a preços mais elevados, as empresas internas que utilizam esses insumos não só continuam limitadas em sua capacidade de produzir com tecnologias mais adequadas, mas também devem pagar um gravame adicional que encarece ainda mais os preços de seus produtos no mercado interno para os consumidores.
Assim, em vez de reduzir os custos das empresas estadunidenses, de dinamizar o mercado interno — o que requereria diminuir o endividamento das famílias e das próprias empresas — e de ativar os indicadores econômicos que permitiriam o crescimento da economia dos Estados Unidos, a elevação das tarifas opera como um mecanismo que busca proteger a indústria nacional e estimular o investimento interno, sob a expectativa de um redesenvolvimento estratégico orientado a "fazer grande a América novamente".
No entanto, na prática, este mecanismo tende a fracassar, já que, em vez de promover o desenvolvimento tecnológico necessário, acaba por prolongar a sobrevivência de uma estrutura produtiva obsoleta, incapaz de produzir localmente a custos inferiores aos de empresas que operam em escala global. Mediante o controle artificial de preços, tenta-se regular os fluxos de oferta para induzir a compra de produtos nacionais mais caros em substituição aos importados que seriam baratos não fossem as tarifas.
Inclusive se os salários fossem iguais na produção nacional e na externa nesses setores, os produtos importados seguiriam sendo mais baratos, porque os competidores estrangeiros utilizam um capital constante mais produtivo, operam a maior escala, contam com cadeias produtivas integradas e apresentam um menor custo unitário de capital por mercadoria. Com efeito, a competitividade externa não se explica principalmente pelo custo do trabalho, mas pela superioridade sistêmica da organização do capital constante.
No fluxo de importações, o mecanismo das tarifas reduz parcialmente o mais-valor extraordinário realizado pelos países exportadores — seja mediante a redução de preços ou pela diminuição do volume exportado para Estados Unidos —, o que os impulsiona a buscar outros mercados. No entanto, o problema estrutural permanece: a modernização do parque produtivo estadunidense exige a importação de uma ampla gama de bens de capital que não são produzidos internamente, o que limita de maneira decisiva a eficácia das guerras comerciais como estratégia para superar a crise.
Os Estados Unidos apresentam uma dependência estrutural de importações em setores chave onde perderam competitividade ou carecem de produção nacional significativa. As importações de bens de consumo final representam entre 25% e 30% do total nos últimos anos, enquanto as de bens de capital alcançam 30-35% (BEA, 2025).
Em 2024, as importações de bens de capital chegaram a aproximadamente 969 bilhões de dólares, o que supõe cerca de 30% do total de importações de bens (ao redor de 3,3 trilhões de dólares). Os bens de consumo final também ocupam uma porção relevante e contribuem significativamente para o déficit comercial.
O déficit crônico na balança comercial de bens se acentuou em 2024, alcançando um recorde de 1,21 trilhões de dólares. Dentro deste, os bens de consumo final e de capital são responsáveis por uma parte substancial: os bens de consumo impulsionaram cerca de 45% do déficit total, enquanto os bens de capital contribuíram com aproximadamente 27% (cerca de 323 bilhões de dólares).
Esta vulnerabilidade se explica pela perda de competitividade global em setores de produtos finais e, especialmente, em bens de capital — equipamentos duráveis como maquinaria e instrumentos industriais essenciais para a produção. O modelo econômico estadunidense, sustentado em um endividamento crônico e no privilégio do dólar como moeda de reserva e de comércio mundial, tem permitido financiar déficits comerciais persistentes durante décadas por meio da emissão de títulos do Tesouro.
Sem o status hegemônico do dólar, este modelo seria inviável, já que não poderia absorver importações massivas sem uma produção interna competitiva na economia real.
De fato, a elevação de tarifas não resolve estes problemas estruturais profundos: só encarece os produtos para os consumidores e empresas estadunidenses, sem reverter a desindustrialização nem recuperar a competitividade tecnológica em setores básicos de consumo e produção.
A expansão da economia cooperativa, organizada em Circuitos Econômicos Solidários, pode ser fortalecida com a desmonetização das transações econômicas entre os atores cooperativos.
A escassez de dinheiro restringe o intercâmbio econômico inclusive quando existe capacidade produtiva ociosa e necessidades reais insatisfeitas. Embora cooperativas e comunidades possam produzir bens e serviços demandados, a falta de meios monetários impede sua circulação e realização.
A expansão da economia cooperativa e solidária pode acelerar-se na transição mediante a progressiva desmonetização dos intercâmbios entre seus atores. Para isso, propõem-se Sistemas de Intercâmbio Solidário, com registros em blockchain, baseados em créditos de valor calculados — com margens de flutuação controladas — segundo o tempo de trabalho socialmente necessário à produção e à circulação dos bens e serviços intercambiados, como modalidade alternativa às transações monetárias.
Por meio de plataformas digitais, as cooperativas colocam seus produtos em circuitos econômicos solidários interconectados globalmente. Ao fazê-lo, recebem créditos ou pontos de troca equivalentes ao valor dos bens oferecidos, que elas podem utilizar para obter produtos de qualquer outra cooperativa integrada ao sistema. Deste modo, o dinheiro é substituído por um sistema internacional de compensação não monetária.
Estas plataformas organizam a circulação de bens e serviços mediante três catálogos:
Todas as transações ficam registradas em blockchain, garantindo rastreabilidade, transparência e equilíbrio do sistema. O desenvolvimento e libertação de forças econômicas permite transitar progressivamente, na esfera da circulação, de transações baseadas na compra e venda mediadas por dinheiro para transações baseadas no dom, com o registro de fluxos materiais que preservam a retroação entre consumo e produção mediante o próprio catálogo e o controle de estoques.
Marx propôs o uso de certificados de trabalho como meio de intercâmbio no socialismo. Os produtos eram valorados em horas de trabalho socialmente necessário. Os produtores recebiam os vales pelo seu trabalho, que lhes permitiam aceder a bens equivalentes em armazéns sociais, descontada a contribuição ao fundo comum.
Hoje, esta proposta pode ser atualizada mediante tecnologias blockchain, que permitem uma gestão descentralizada e global dos intercâmbios cooperativos. A produção da economia cooperativa, popular e solidária pode circular entre comunidades de distintos países sem mediação monetária, ampliando a escala e a eficiência dos circuitos solidários. Ao estarem os circuitos econômicos solidários conectados globalmente por meio de plataformas digitais, os produtos que ingressam — sob demanda — nos catálogos de troca de empórios solidários em qualquer parte do mundo geram créditos de troca para as cooperativas. Com eles, as cooperativas podem obter bens e serviços oferecidos em qualquer ponto da mesma rede. Os produtos ingressados nos empórios operam como lastro dos creditos emitidos. Quando estes são utilizados nos empórios para retirada de produtos, eles são eliminados, garantindo-se o equilíbrio entre a oferta real de bens e serviços e os créditos de troca no sistema de intercâmbio solidário.
Com o avanço tecnológico, o aumento da produtividade e a libertação das forças produtivas, a demanda de trabalho humano tende a diminuir também no âmbito cooperativo. Isto abre a possibilidade de uma transição progressiva para uma economia do dom, na qual porções crescentes de valores de uso (sejam meios de consumo ou meios de produção) são distribuídos sem mediação nem de dinheiro nem de créditos de troca.
As plataformas digitais baseadas em tecnologia blockchain permitem desmonetizar progressivamente o sistema de intercâmbio solidário e assegurar a realização do mais-valor em um sistema internacional de compensação não monetária, que possibilita às pessoas e às empresas obter bens e serviços de qualquer parte do mundo.
Neste modelo, as unidades produtivas retiram bens e serviços segundo suas necessidades e contribuem para o sistema segundo suas capacidades, repondo no catálogo comum um volume de valor equivalente ao que recebem, agregado pela produtividade adicional e pelos excedentes alcançados. À medida que os excedentes não vendidos são incorporados a este circuito, aumenta o volume de bens disponíveis gratuitamente.
Deste modo, pelas próprias leis imanentes do desenvolvimento das forças produtivas, se configura uma progressiva transição histórica do socialismo — baseado no intercâmbio por valor — ao comunismo — fundado na economia do dom.
Embora possa parecer paradoxal, as próprias leis imanentes do desenvolvimento das forças de produção, intercâmbio e crédito — e a libertação destas forças por comunidades humanas conectadas em redes colaborativas — tornam possível a transição para economias do dom. De fato, as próprias empresas capitalistas, impulsionadas por estas mesmas leis, já entregam gratuitamente ao consumidor final volumes cada vez maiores de produtos e serviços.
A competição entre os atores do capital — movida pelas leis imanentes da produção e realização capitalista — os obriga a reduzir custos e preços, assim como a entregar parte de seus produtos de forma gratuita (degustações, usos limitados, versões freemium) ou a oferecer bens gratuitos financiados por publicidade.
Esta dinâmica gera um paradoxo capitalista: expansão de ofertas para livre apropriação, isto é, o aumento sustentado de valores de uso — digitais e tangíveis — distribuídos gratuitamente. De fato, dentro das economias capitalistas, a quantidade de valores de uso — especialmente de natureza digital — distribuídos gratuitamente cresce de forma acelerada. Exemplos evidentes são as amostras grátis, YouTube, Facebook, plataformas de inteligência artificial e outros serviços digitais.
Do ponto de vista econômico, o valor deste consumo gratuito é significativo – como se pode ver na Tabela 7. O que é obtido de maneira gratuita pelo consumidor final tem custos de produção e distribuição, e um valor econômico real. Com base em estimativas diversas se pode situar sua magnitude entre 11,68% e 14,26% do PIB global, um volume superior ao de setores inteiros como a agricultura mundial ou a indústria automotriz – como se pode ver na Tabela 8.
Este fenômeno não é acidental: o desenvolvimento tecnológico — movido pelas leis imanentes do capitalismo — engendra uma disputa entre os atores do capital que obriga à entrega gratuita de produtos e serviços como mecanismo de competição, captura de atenção e valorização indireta.
Considerando o conjunto de produtos digitais legalmente acessados e utilizados sem pagamento direto pelos consumidores (plataformas como YouTube, Facebook, serviços de IA, entre outros), o valor deste consumo é estimado, de maneira muito conservadora, entre 3,2% e 4,2% do PIB global, cifra comparável ou inclusive superior à produção da indústria farmacêutica ou à mineração global, que ronda 1,4% a 2,1% do PIB global. Outros estudos, considerando o excedente do consumidor (valor percebido de bem-estar) gerado por estes serviços, estima essa cifra em torno de 6% do PIB dos países estudados — equivalente a mais de 2,5 trilhões de dólares anuais em uma amostra de 13 nações (COLLIS, 2023).
| Categoria | Valor estimado 2024 (US$ tri) |
% do PIB global |
|---|---|---|
| Gasto em publicidade digital integrada a produtos gratuitos | 0,77 | 0,70% |
| Excedente do Consumidor em Plataformas Gratuitas | 2,0 – 2,5 | 1,8 – 2,3% |
| Videoconferência gratuita ou com limite generoso | 0,10 – 0,20 | 0,09 – 0,18% |
| Produtividade de Ferramentas de IA Gratuitas | 0,5 – 1,0 | 0,45 – 0,91% |
| Economia do Criador (UGC gratuito com publicidade) | 0,19 | 0,17% |
| Software Livre e Open Source (financiados por empresas) | 8,0 – 9,0 | 7,3 – 8,2% |
| Degustação e amostras grátis (alimentos, cosméticos, perfumes, etc.) | 0,20 – 0,35 | 0,18 – 0,32% |
| Conteúdo sob licenças Creative Commons | 0,032 – 0,055 | 0,03 – 0,05% |
| Loss leaders em comércio físico (arroz, fraldas, leite, carne, etc.) | 0,40 – 0,60 | 0,36 – 0,55% |
| Envio grátis em e-commerce | 0,20 – 0,30 | 0,18 – 0,27% |
| TV aberta comercial (100% gratuita, 100% financiada por publicidade) | 0,15 – 0,20 | 0,14 – 0,18% |
| Rádio comercial (100% gratuita para o ouvinte) | 0,09 – 0,12 | 0,08 – 0,11% |
| Refill livre + Wi-Fi grátis + presentes físicos + cupons permanentes | 0,12 – 0,20 | 0,11 – 0,18% |
| Outros tangíveis gratuitos (sacolas, estacionamentos, carrinhos, etc.) | 0,10 – 0,15 | 0,09 – 0,14% |
| TOTAL | 12,85 – 15,63 | 11,68 – 14,26% |
Fonte: Elaboração do autor com base em: BUCHANAN, 2023; BRYNJOLFSSON et al, 2003; BRYNJOLFSSON et al, 2023; IDC, 2024; NIELSON, 2024; STATISTA, s.d.a; STATISTA, s.d.b; FUTURESOURCE CONSULTING, 2024; CORRIGAN et al, 2018; KOETSIER, 2025; DEAN, s.d; HOFFMANN et al, 2024; OSI, s.d.; OPTIMUM RETAILING, 2024; FORREST, s.d.; STATISTA, s.d.f; YAQUB, 2024; GRAND VIEW RESEARCH. 2024; CHIEF MARKETER, s.d; CHANDUKALA et al, 2017; GORE, 2025; STIHLER, 2023; UNCTAD, 2024; DE CREMER, 2023; GOLD et al, 2024; BANTON,2025; SELLERSCOMMERCE, 2025; CAPITAL ONE SHOPPING, 2025; CAMPAIGN ASIA, 2024; McNALLY, 2024; HERREN, 2024; STATISTA. 2025; NIELSON, 2024; MARKETRON, 2024; INSIDERADIO, 2024; THE KRAZY COUPON LADY, s.d.; ZION, 2024. COWEN, 2025; FORTUNE BUSINESS INSIGHTS, 2025; MALDONADO, 2025; CHIEF MARKETER, s.d., BRYNJOLFSSON et al, 2019a; COLLIS, 2023. Margem de erro estimada por intervalo de cobertura: ±35%
| Setor inteiro | Valor agregado bruto (US$ tri) |
% do PIB global |
|---|---|---|
| Toda a agricultura, pecuária e pesca mundial | 4,8 | 4,4% |
| Indústria automotiva global (veículos + peças) | 3,1 | 2,8% |
| Indústria farmacêutica global | 1,5 | 1,4% |
| Toda a mineração global | 2,3 | 2,1% |
| Consumo gratuito (tangível + intangível) | 12,85 – 15,63 | 11,68 – 14,26% |
Fonte: Elaboração do autor baseada em: WORLD BANK, s.d.b; IEA, 2024; AUSTRIAN FEDERAL MINISTRY OF FINANCE, 2023; INDEX MUNDI, s.d.; STATISTA, s.d.e; PRECEDENCE RESEARCH, 2025. Margem de erro estimada por intervalo de cobertura: ±5% oficial e ±35% consumo gratuito.
Em síntese, o valor que as empresas capitalistas entregam gratuitamente a cada ano para captar e reter consumidores ou monetizar indiretamente sua atenção já supera o de setores completos da economia global. Esta tendência, longe de reverter-se, acelera-se, revelando que as próprias leis do capitalismo engendram, de maneira contraditória, formas crescentes de circulação baseadas no acesso gratuito e antecipam materialmente elementos de uma economia do dom.
No processo de transição, mediado pelos Circuitos Econômicos Solidários (CES), esta entrega gratuita de valores de uso — entendida como uma negatividade gerada pela competição de mercado — pode ser positivamente superada e conscientemente reapropriada e reorientada como dom em relações de reciprocidade comunitária. Por meio de plataformas baseadas em tecnologia blockchain e de gestão comunitária autogestionada, os excedentes não vendidos podem ser progressivamente incorporados ao catálogo de doações. O aumento da produtividade, a redução do tempo de trabalho necessário e a expansão da abundância material permitiriam transitar do intercâmbio baseado em valor para a distribuição segundo as necessidades.
Aqui, a gratuidade não é um engodo para a captura de valor ou atenção (como no capitalismo), mas a expressão de uma reciprocidade social e de uma ética comunitária. É a via para a realização plena do bem-viver, onde o livre desenvolvimento de cada indivíduo e de cada comunidade se converte no fim e no meio do processo econômico.
A crise atual não é conjuntural, mas estrutural: deriva das leis imanentes da própria produção capitalista. O desenvolvimento da automação, com a robótica e a inteligência artificial, substituindo o trabalho vivo de maneira ampla e generalizada, torna inviável a reprodução do sistema baseado no salário como principal mecanismo de distribuição. Frente a isso, o capitalismo em crise se vê obrigado a adotar formas parciais de socialização do valor: expansão de fundos públicos, políticas de transferência de renda, apoio a economias solidárias de subsistência, renda básica e novas formas associativas.
Os países que fortalecem mecanismos de distribuição de renda e consolidam setores cooperativos, solidários e públicos conseguem preservar uma demanda solvente e sustentada, expandem o investimento e aumentam sua resiliência sistêmica. Neste marco, uma estratégia que acelera a transição consiste na organização de Circuitos Econômicos Solidários (CES) integrados em redes colaborativas, com uma desmonetização progressiva dos intercâmbios solidários por meio de plataformas digitais globais e o emprego de tecnologias blockchain. A transição econômica para o socialismo — entendida como socialização da produção, da circulação, do crédito e da apropriação do valor — não é um horizonte abstrato, mas um processo já em curso. A saída estrutural da crise passa pelo papel central da economia pública, popular, solidária e cooperativa na transição sistêmica.
Do ponto de vista das leis imanentes da produção capitalista, o que se observa hoje é uma tendência objetiva de transição do capitalismo ao socialismo, impulsionada pela crise do modo de produção. Este fenômeno se expressa de maneira paradigmática no caso dos Estados Unidos.
Quanto mais rapidamente as economias capitalistas adotem mecanismos de redistribuição de renda para ativar o consumo das camadas mais empobrecidas, e quanto mais fortaleçam seus setores cooperativos, solidários, sociais e públicos, mais rapidamente poderão sair da crise e avançar na transição para uma economia associativa e solidária.
Por outro lado, o processo contemporâneo — mediante o qual volumes crescentes de valores de uso começam a circular para sua apropriação gratuita dentro do próprio capitalismo — antecipa materialmente, embora de forma contraditória, negativa e subordinada à lógica da valorização do capital, alguns aspectos de uma economia do dom. Nos Circuitos Econômicos Solidários, esta tendência pode ser conscientemente reapropriada e positivamente reorientada de maneira não mercantil: a elevação da produtividade, a redução do tempo de trabalho necessário e a ampliação de excedentes não vendidos permitem que uma parte crescente da produção seja subtraída da lógica monetária e redistribuída segundo necessidades socialmente determinadas.
À diferença do capitalismo, onde a gratuidade opera como instrumento de competição e captura de valor, nos CES a gratuidade se funda na autogestão comunitária e na reciprocidade social, articulando produção, circulação e consumo sem mediação monetária. Deste modo, pela expansão das forças produtivas e pelas leis imanentes da produção e circulação solidárias, abre-se a possibilidade histórica de uma transição efetiva do socialismo — ainda regulado por formas de equivalência do valor — para o comunismo, entendido como um sistema de reprodução social no qual o acesso aos bens se organiza crescentemente segundo a articulação entre as capacidades de produzir e as necessidades de consumir, orientada ao bem-viver de todos, assegurando o livre desenvolvimento das individualidades e das comunidades humanas, em um processo contínuo de libertação comunal.
1 Para sociedades anônimas con participação estatal minoritária, veja-se: OECD (2024, p. 16).
2 O número de pessoas cooperadas no ano 2000 é uma estimativa. À época, a AGWAY INCORPORATED (1992, p. 7) informava 700 milhões; PRAKASH (1999) informava 850 milhões; e a LAO NEWS AGENCY (2001, p. 9) informava 800 milhões.
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