Biografia

Euclides André Mance (21-09-1963), é natural de Mogi das Cruzes, São Paulo, Brasil. Colaborou como articulista do jornal Alvorada, em sua cidade natal, nos anos de 1981 e 1982. Mudando-se para Curitiba, graduou-se em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná-UFPR em 1987 e obtém título de pós-graduação em Antropologia Filosófica pela mesma Universidade dois anos mais tarde. Iniciou carreira docente em 1988, lecionando a disciplina de Filosofia na América Latina no Instituto Vicentino de Filosofia, período em que principia a trabalhar academicamente com as variadas vertentes de filosofia da libertação, que já estudava desde 1984. A pesquisa para preparação de aulas ensejou a elaboração de pequenos artigos, publicados no jornal Atualidade, órgão da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Repetidos problemas de impressão dos textos, contudo, levaram o autor a encerrar sua colaboração com aquele veículo.

Em 1989 e 1990 leciona na UFPR as disciplinas de Filosofia do Método Científico, Lógica e Filosofia na América Latina para turmas de diversos cursos. Ainda em 1989 começa a publicação semestral do boletim informativo Livre-Filosofar e organiza a Secretaria de Integração de Estudos de Filosofia da Libertação – Siefil, com a informatização de um acervo de títulos de filosofia latino-americana e filosofia da libertação, que foi recolhendo ao longo dos anos em sua biblioteca particular, facilitando o acesso a esses textos a pesquisadores do Brasil e do exterior. A partir de 1990 trabalha como coordenador de projetos de educação popular no Centro de Formação Urbano e Rural Irmã Araújo-Cefuria, em Curitiba. Neste trabalho com educação popular, amplia o seu envolvimento com os movimentos sociais populares, participando da construção da Central de Movimentos Populares, entidade de abrangência nacional que passou a assessorar por vários anos. Neste período elaborou materiais didáticos para cursos de lideranças populares e iniciou sua investigação sobre temas como Cidadania e Reforma Urbana, a articulação dos movimentos sociais em torno de eixos de luta, projetos estratégicos e disputas hegemônicas, bem como, a problematizar algumas categorias clássicas na análise dialética dos processos históricos, tais como práxis e sociedade civil. Neste período inscrevem-se os artigos Eixos de Luta e a Central de Movimentos Populares e Práxis de Libertação e Subjetividade.

Em 1994 novamente retorna a lecionar na UFPR, como professor concursado em regime de contratação temporária, as disciplinas de Introdução à Filosofia e Filosofia na América Latina. Participa da constituição do ALEP – América Latina Estudos e Projetos, núcleo no setor de Ciências Humanas daquela Universidade, dedicado a temas latino-americanos. Dos trabalhos em conjunto que inicia com o professor Jesus Eurico Miranda, docente na UFMS, têm-se a realização de alguns cursos de verão em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sobre temas ligados à filosofia da libertação, a partir dos quais surgiram projetos de pesquisa coletiva com a constituição de grupos de estudo em alguns estados do Brasil sobre temáticas de filosofia da libertação. Em Curitiba este processo desemboca na fundação do Instituto de Filosofia da Libertação, do qual Mance torna-se o primeiro presidente. Sob influência do pensador francês Félix Guattari, volta-se para o estudo das semióticas do capital. Passa a lecionar Filosofia da Linguagem, no Studium São Basílio Magno. Neste período realiza algumas conferências sobre pós-modernidade e filosofia da libertação. Avança, a seguir, na investigação sobre globalização, totalitarismo e liberdade. Por estes anos publica alguns artigos, tais como Quatro Teses Sobre o Neoliberalismo, Realidade virtual – A Conversibilidade dos Signos em Capital e Poder Político e Globalização e Liberdade.

Em 1997 inicia o curso de mestrado em Educação, na UFPR, inserindo-se na linha de pesquisa educação e trabalho, passando a investigar certos temas de economia contemporânea. Sua pesquisa concentra-se, a partir deste período, nas condições materiais, políticas, informativo-educacionais e éticas, peculiares ao exercício da liberdade democrática. Em 1999 conclui o mestrado defendendo a dissertação Globalização, Liberdade e Educação – Desafios e contradições das Sociedades Contemporâneas, trabalho em que Mance recupera a pedagogia libertadora de Paulo Freire, reelaborando vários conceitos peculiares àquela concepção a partir da semiótica política.

Nesta ultima etapa, após ter elaborado sobre as dimensões educativa, política e ética dos exercícios de liberdade, o autor se volta para a reflexão sobre as mediações econômicas de tal exercício. Concentra-se, a partir deste momento, na reflexão sobre as redes de colaboração solidária como possíveis alternativas econômicas para a construção de sociedades pós-capitalistas, aplicando à economia os princípios da teoria da complexidade. Nesta perspectiva inscrevem-se os livros A Revolução das Redes (1999), Redes de Colaboração Solidária (2002), Como Organizar Redes Solidárias (2003). Convidado, em 2003, a colaborar no Programa Fome Zero, no primeiro governo do presidente Lula, Mance atuou como consultor contratado pela Unesco (2004) e FAO (2005-2006) em projetos de desenvolvimento local. Desse período de intenso trabalho de diagnósticos sobre a realidade brasileira e de elaboração de políticas públicas, articulando desenvolvimento territorial com estratégias de economia solidária, resulta o livro Fome Zero e Economia Solidária – O Desenvolvimento Sustentável e a Transformação Estrutural do Brasil (2004).

Desde 1999 vem apoiando a organização de redes colaborativas, particularmente no campo da economia solidária. Com este objetivo concebeu e desenvolveu algumas ferramentas de Tecnologia da Informação que voluntariamente mantém à disposição de diversas redes solidárias, entre as quais o portal www.solidarius.com.br. Em 2000 participou da criação da Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária-RBSES, colaborando intensamente com esta Rede desde então. Nos últimos anos atua como facilitador em eventos de economia solidária e como conferencista em eventos civis ou governamentais em diferentes países.