“Variante B17” do Coronavírus contribuiu para 257.101 mortes no Brasil até agora.

Euclides Mance
03/abril/2021

Comparando o número de óbitos por Covid-19 no Brasil e no restante do mundo temos o seguinte.

No Brasil há 211.049.527 habitantes e já morreram 328.206 pessoas por Covid-19. Dividindo o número dos que morreram pelo número de habitantes, a taxa é de 0,0015551136. No restante do mundo há 7.462.484.447 habitantes e já morreram 2.514.182 pessoas por Covid-19, resultando numa taxa de 0,000336909. A fonte de dados populacionais utilizada é o Banco Mundial (worldbank.org) e a de óbitos é a Universidade Johns Hopkins (coronavirus.jhu.edu).

Com base nesses dados, se no Brasil o número de mortes por Covid-19 fosse similar à média do restante do mundo, teriam morrido até agora 71.104 pessoas. Basta multiplicar o número de habitantes do país pela taxa de mortalidade do resto mundo. O número de mortes que poderiam ter sido evitadas no Brasil até aqui é 257.101.

Diante disso, cabe perguntar: por que no Brasil morrem muito mais pessoas proporcionalmente de Covid-19 que no resto mundo em seu conjunto? Por que milhares de mortes causadas por essa doença, que poderiam ser evitadas, estão ocorrendo em nosso país?

Uma parte da resposta pode estar na propagação desenfreada do que se pode chamar figuradamente de “variante B17” do Coronavírus  numa parcela da população brasileira,

Essa “variante” se desenvolveu no Brasil logo no início da pandemia. Como se sabe, um vírus se propaga e se fortalece ao contornar os mecanismos de defesa do organismo. Uma pandemia afeta a sociedade como um todo, pois esta é um organismo social. Ocorre que a “variante B17” do Coronavírus atua justamente nisso, enfraquecendo a contenção do contágio da doença no organismo social.

Trata-se de uma “variante” cultural que altera a capacidade cognitiva e afetiva das pessoas contaminadas por ela. Cognitivamente as pessoas perdem a noção da realidade, estando seguras de que estão protegidas porque tomam medicamentos para vermes e para malária. E afetivamente elas têm surtos de autoestima narcísica, crendo-se muito inteligentes, e surtos de raiva e ódio, perdendo a empatia ante o sofrimento alheio. A junção desses dois fatores impacta fortemente na ação que elas adotam, o que acaba resultando na própria morte delas mesmas por Covid-19 ou de outras pessoas contaminadas por elas.

Essa “variante B17”, responsável por grande parte das 257.101 mortes a mais no Brasil na atual pandemia em comparação proporcional ao restante do mundo, atua contra o sistema de defesa do organismo social, particularmente em seis frentes: 1) conter a entrada do vírus no país: impediu que governadores fizessem o controle sanitário no interior dos aeroportos para bloquear o contágio; 2) uso de máscaras: vetou o uso obrigatório de máscaras em locais públicos; 3) distanciamento social: ocasiona aglomerações e é contra medidas que as evitem; 4) lockdown: toma diferentes medidas para que ele não ocorra nacionalmente e o combate localmente, sem reconhecer que o lockdown foi adotado nos principais países de grande porte que conseguiram conter a propagação da pandemia; 5) vacinas: recusou em 2020 a oferta de milhões de doses de vacinas feita ao Brasil, que ficou agora sem imunizante disponível para vacinar toda a população até julho de 2021; 6) educação e informação: por meio de “lives”, a “variante B17” do Coronavírus induz as pessoas por ela infectadas a adotarem comportamentos que contribuem para elevar a mortalidade por Covid-19 no país.

Enquanto a propagação dessa “variante B17” do Coronavírus não for contida e milhões de pessoas acreditarem que, por tomar vermífugos e remédio para malária regularmente, não precisam usar máscaras, podem aglomerar-se em festas clandestinas e  “manter tudo aberto para não quebrar a economia”, o número de mortes por Covid-19 continuará sendo muito maior no Brasil em proporção ao restante do mundo.

O alerta é claro: as ações induzidas no organismo social pela “variante B17” do Coronavírus  – isto é, pelo presidente Bolsonaro – são letais: repitamos, elas matam!

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